Camargo Corrêa devolverá R$ 700 milhões para três estatais
Com informações do EstadãoConteúdo
Do NE10
A empreiteira Camargo Corrêa vai devolver R$ 700 milhões para três empresas públicas que foram vítmas dos crimes de cartel e corrupção nas transações ilegais da empresa. O montante, fruto do maior acordo do gênero já assinado na história da justiça brasileira, será usado para ressarcir a Petrobras, a Eletronuclear e a Eletrobras.
O acordo foi fechado após três executivos da empreiteira confessarem, por meio de delação premiada, que houve pagamento de suborno e atuação do cartel de obras como a Refinaria Abreu e Lima (PE), da Petrobras, na Usina Nuclear Angra 3 (RJ) e na hidrelétrica de Belo Monte (PA).
O pagamento dos R$ 700 milhões garantirá imunidade aos executivos da Camargo Corrêa, que poderiam ser acusados, no futuro, da prática de cartel, corrupção e improbidade administrativa, além de outros delitos.
No fim de julho, a empreiteira já havia assinado acordo de leniência com o Conselho, para delatar o cartel de licitações no setor elétrico, em obras da usina nuclear de Angra 3. O novo acordo é chamado de “leniência plus”, por se tratar de uma nova colaboração em investigação distinta e foi aprovado por unanimidade pelo Cade na manhã desta quarta-feira.
A investigação sobre formação de cartel em licitações da Petrobras já conta com outro acordo, assinado em março com a Setal Engenharia e Construções. De acordo com o superintendente-geral do Cade, Eduardo Frade, o novo acordo é importante, porque, diferentemente da Setal, a Camargo Corrêa faz parte do chamado Clube VIP, com empresas que compõem o núcleo do esquema.
O grupo é composto por seis companhias: UTC, Odebrecht, Andrade Gutierrez, Queiroz Galvão e OAS, além da Camargo Corrêa.