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Do Casa Saudável

Dia 14 deste mês marcou o Dia Mundial do Diabetes. A data alerta para a prevenção dessa doença de origem metabólica, ocasionada por múltiplos fatores, e que, na maioria dos casos, surge de maneira silenciosa, sem a presença de sintomas.

“A diabetes se caracteriza por uma glicemia alta no sangue, que se deve a uma dificuldade em metabolizar a glicose pela insulina, único hormônio do corpo que é hipoglicemiante, ou seja, é capaz de baixar a glicose”, explica a endocrinologista do Real Hospital Português, Maria Amazonas.

A doença se subdivide em diversos tipos, sendo os dois mais comuns a diabetes tipo 1 e a diabetes tipo 2. O primeiro é responsável por quase 10% dos pacientes diabéticos e acomete, principalmente, crianças, adolescentes e adultos jovens. “O tipo 1 se caracteriza por uma incapacidade do pâncreas em produzir insulina. Por isso, desde o início da doença é necessário fazer o uso do hormônio em sua forma injetável”, detalha a endocrinologista.

Quanto a diabetes tipo 2, que responde por mais de 90% dos casos, a principal característica é a resistência à insulina, seguida, ao longo do tempo, de uma deficiência de produção de insulina também pelo pâncreas. Ou seja, no início da doença, o paciente ainda apresenta uma produção adequada de insulina pelo pâncreas, mas a resistência à insulina faz com que essa quantidade não consiga metabolizar a glicose, sendo necessário o tratamento.

O tipo 2 é mais presente nos adultos, principalmente a partir dos 35 anos, e está comumente associado à obesidade, ao sedentarismo, aos maus hábitos de vida e também à presença do histórico familiar. A prevenção se faz através da manutenção do peso, com atividade física e alimentação adequada, reduzindo a ingesta de carboidratos e açúcar em geral. No entanto, os especialistas alertam que é cada vez mais comum o diagnóstico da diabetes tipo 2 em pacientes magros e sem histórico familiar, devido aos maus hábitos alimentares que desencadeiam a resistência à insulina.

Complicações – A diabetes pode ocasionar diversas complicações, dentre elas as cardíacas. “Hoje a diabetes é visto também como uma doença cardiovascular. Para se ter noção, a cada duas pessoas com diabetes que morrem, uma é em decorrência de doença cardíaca”, alerta o cardiologista do RHP, Paulo Sérgio Oliveira. Essas complicações estão relacionadas aos vasos sanguíneos, as principais são infarto agudo do miocárdio e Acidente Vascular Cerebral (AVC). Já as principais doenças associadas ao Diabetes são a hipertensão arterial e as doenças renais. “Um diabético cardiopata precisa não apenas baixar a taxa de glicose, mas também adotar medidas de controle dos fatores de risco das doenças do coração, como evitar o fumo e as bebidas alcoólicas, adotar hábitos alimentares saudáveis e praticar atividades físicas”, reforça o médico.

Outras complicações relacionadas a diabetes são as vasculares, como as úlceras, que infeccionam com facilidade. O tratamento é multidisciplinar, com controle da glicemia, uso de antibióticos em casos de infecção e até limpeza cirúrgica, chamada de desbridamentos, que consiste na retirada de tecido desvitalizado das feridas. “Nos casos mais extremos, pode terminar em amputações. Por isso ressaltamos a profilaxia que visa o cuidado com os pés, com medidas como higiene, hidratação, uso de calçados adequados e não andar descalços”, reforça a cirurgiã vascular, Daniella Souza.

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