Não passa de informação falsa e tentativa de uso político da obra a informação que circula em áudios nas redes sociais que atribui ao ex-prefeito João Jatobá e a ex-primeira-dama Isabelle parte da responsabilidade pela realização da Adutora do Agreste, obra que hoje é responsável por abastecer Belo Jardim, no Agreste de Pernambuco, além de outros municípios da região com a água da Transposição do Rio São Francisco.

E não é de hoje que a obra é motivo de debates e polêmica. O governador do Estado, por exemplo, Paulo Câmara (PSB), já afirmou por diversas vezes na imprensa estadual que os recursos para a conclusão da obra foram destinados pela sua gestão, e que o ex-presidente Michel Temer (MDB) havia paralisado a liberação de recursos para o ramal por parte do Ministério da Integração Nacional.

Arte: BJ1

Mas em janeiro deste ano, o BJ1 publicou reportagem em que teve acesso exclusivo à planilha de recursos do Ministério da Integração Nacional destinados para a implantação da adutora, que faz parte do eixo leste da Transposição do São Francisco, obra federal.

Em pouco mais de dois anos e meio de governo, por exemplo, Michel Temer liberou mais recursos para a Adutora do Agreste do que os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff, ambos do PT, segundo documento de repasses do Ministério. Ao todo, Temer destinou o montante de R$ 355.622.700 para a conclusão da Adutora do Agreste em Pernambuco, montante que compreende R$ 77.294.046 a mais do que os governos anteriores haviam liberado.

Na planilha federal de recursos para a obra, aparece que entre os anos de 2008 e 2012, durante os governos Lula e Dilma, a implantação da Adutora do Agreste não recebeu qualquer quantia do governo federal. A primeira liberação, no valor de R$ 100 milhões, foi realizada apenas em 2013, e a segunda no ano seguinte, no valor de R$ 178.328.654. Em 2015, novamente, nenhum recurso foi destinado. Isto é, R$ 278.328.654 foi o montante enviando para a Adutora durante seis anos dos governos do PT, conforme a planilha do Ministério da Integração Nacional.

Em 2016, após o afastamento provisório de Dilma no dia 12 de maio depois que o Senado Federal acatou o pedido de impeachment, no mês seguinte, já sob o comando de Michel Temer, a obra voltou a receber recursos, que ao final do ano contabilizou R$ 109.328.654. Já em 2017, Temer destinou mais R$ 178.049.277. No ano passado, o ex-presidente destinou R$ 68.244.769 para a conclusão da obra, totalizando assim um aporte de R$ 355.622.700 em recursos durante os dois anos e meio do governo Temer, segundo a planilha.

Presidente Bolsonaro libera novos recursos para adutora

No dia 21 de fevereiro passado, através do seu Twitter, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) também falou da prioridade que a obra de abastecimento tem no seu governo. Ele escreveu em sua postagem que “o Nordeste é uma prioridade do Governo Federal”. Na declaração, Bolsonaro se refere aos R$ 82 milhões liberados no dia anterior para as obras da Adutora do Agreste, em Pernambuco. O montante foi anunciado após reunião do governador Paulo Câmara, com o ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, na Esplanada dos Ministérios.

A liberação desses R$ 82 milhões se soma a outros R$ 68 milhões aportados no segundo semestre do ano passado, totalizando R$ 150 milhões (do Orçamento Geral da União de 2018) investidos no projeto. “Em pré-operação, a Adutora do Agreste leva as águas do Eixo Leste do Projeto São Francisco para quase 400 mil pessoas no interior do Estado”, destacou Bolsonaro em postagens nas suas redes sociais.

Dados os valores apresentados pela planilha de liberação de verbas do Ministério da Integração Nacional nos governos Temer e Dilma, e ainda pela nova liberação de recursos por parte do presidente Bolsonaro, é seguro afirmar que Adutora do Agreste é realidade para milhares de pernambucanos e pernambucanos graças ao governo federal, com uma simbólica contrapartida do governo estadual.

A água do São Francisco por meio da Adutora do Agreste, chega hoje além de Belo Jardim, também nos municípios de Tacaimbó, São Bento do Una, Sanharó, Pesqueira e Arcoverde. Posteriormente, os municípios de São Caetano, Caruaru, Alagoinha, Venturosa, Pedra, Buíque, Tupanatinga, Itaíba, Águas Belas, Iati, Toritama, Santa Cruz do Capibaribe, Lajedo, Brejo da Madre de Deus, Cachoeirinha, Bezerros e Gravatá também serão beneficiados.

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