Agência Brasil/Fabio Rodrigues

Do Jornal Enfoco

A insatisfação do eleitor brasileiro com o atual momento da política nacional, que já sinalizava uma considerável redução na participação do eleitorado no processo das eleições 2018 se comprovou a nível nacional e a nível local, em Belo Jardim, também não foi diferente.

A nível de Brasil, país que hoje conta com mais de 147,3 milhões de eleitores, só para o cargo de presidente da República, mais de 33 milhões de eleitores deixaram de votar ou votaram em branco. Os votos nulos somaram mais de 7,2 milhões. Já aqui no município, que atualmente conta com 60.174 eleitores, a média de abstenções e votos brancos somou 20.712 eleitores, enquanto que o número de votantes que anulou o voto alcançou o patamar de 11.397 eleitores.

Os cargos de senador foram os que registraram o maior número votos brancos somados ao número de eleitores que deixaram de ir votar: 26.634, pico que também se repetiu em relação aos votos nulos: 20.086 eleitores.

Na sequência aparece o cargo de governador: 19.692 votos brancos somados ao nº de eleitores não votantes e 13.528 votos nulos. O cargo de deputado estadual também teve um alto registro: 20.167 votos em branco acrescidos do nº de eleitores faltantes, enquanto que 9.388 eleitores votaram nulo.

No caso de deputado federal, esse patamar foi de 19.692 votos brancos somados as abstenções e 8.349 votos anulados. Por fim, o cargo de presidente foi o que registrou o menor índice negativo: 17.310 votos em branco acrescidos dos eleitores faltantes e 5.637 votos nulos.

Na última eleição em Belo Jardim, a suplementar realizada e 2017 para o cargo de prefeito, ano em que o município contava com 58.944 eleitores, o número de votos brancos somados aos eleitores faltantes chegou a 15.413 eleitores, enquanto que os votos nulos alcançaram 2.305 eleitores. Isto é, o número de eleitores em Belo Jardim do ano passado para este aumentou cerca de 2,5%, enquanto que os votos em branco somados a abstenção subiram pouco mais de 54% e os votos nulos cresceram mais de 380%.

Especialistas alertam: Deixar de votar em alguém não é a melhor opção

Diante do cenário de sucessivos escândalos envolvendo grande parte da alta cúpula política nacional, o que de fato acaba por gerar um descontentamento por parte do eleitor em escolher votar em alguém. Todavia, analistas políticos explicam por que esse não é o melhor caminho a se seguir.

“Para os defensores da campanha do voto nulo, o artigo 224 do Código Eleitoral prevê a necessidade de marcação de nova eleição se a nulidade atingir mais de metade dos votos do país. O grande equívoco dessa teoria reside no que se identifica como ‘nulidade’ […] A nulidade a que se refere o Código Eleitoral decorre da constatação de fraude nas eleições, como, por exemplo, eventual cassação de candidato eleito condenado por compra de votos”, esclarece a professora de direito eleitoral na Faculdade de Direito de Conselheiro Lafaiete (FDCL) Polianna Pereira dos Santos, em artigo publicado no site do próprio TSE.

Justamente por isso é que os votos brancos e nulos, de alguma forma, terminam favorecendo o candidato mais bem votado. “Porque reduz a quantidade de votos válidos necessários para vencer no primeiro turno”, explica o cientista político Leonardo Barreto, da Factual Informação e Análise. “[Para estas eleições] existe uma expectativa, até porque essa quantidade de votos pode influenciar se a decisão vai caminhar para um primeiro ou se vai ficar para um segundo turno”, acrescenta.

Os especialistas são fatídicos ao explicar que deixar de votar, votar branco ou nulo não resolve de fato a política nacional. “As pessoas que fazem isso podem até querer passar uma mensagem de protesto, mas o efeito prático é que elas estão transferindo o seu poder de decisão para outra pessoa. Um ditado na política diz que não existe cadeira vazia. Ou seja, se você deixa de exercer uma parcela da decisão que lhe cabe, alguém vai exercer essa decisão no seu lugar. A decisão não vai deixar de ser tomada”, adverte o cientista político Leonardo Barreto, da Factual Informação e Análise, em entrevista em reportagem publicada pelo jornal Correio Brasiliense.

Eleições 2018 em BJ em números:

Deputado federal = 19.760 abstenções + votos brancos e 8.349 votos nulos
Deputado estadual = 20.167 abstenções + votos brancos e 9.388 votos nulos
Senador = 26.634 abstenções + votos brancos e 20.086 votos nulos
Governador = 19.692 abstenções + votos brancos e 13.528 votos nulos
Presidente = 17.310 abstenções + votos brancos e 5.637 votos nulos

Média total = 20.712 de abstenções + votos brancos e 11.397 votos nulos

Belo Jardim = 60.174 eleitores aptos em 2018

Candidatos mais bem votados no município:

Para deputado federal
1º Sílvio Costa Filho – PRB (apoiado pelo prefeito Hélio dos Terrenos) = 6.798 votos
2º João Campos – PSB (apoiado pelo ex-prefeito João Jatobá) = 6.456 votos
3º Vinícius Mendonça – DEM (candidato do Grupo Mendonça) = 5.530 votos
4º Marília Arraes – PT (apoiada pelo PT local) = 1.120 votos
5º Coronel Meira – PRP (apoiado pelo Grupo pró-Bolsonaro e BJ) = 773 votos

Para deputado estadual
1º João Paulo Costa – AVANTE (apoiado pelo prefeito Hélio dos Terrenos) = 6.610 votos
2º Andréa Mendonça – DEM (apoiada pelo Grupo Mendonça) = 5.871 votos
3º Aluísio Lessa – PSB (apoiado pelo ex-prefeito João Jatobá) = 1.927 votos
4º Tenente Mariano – PSL (candidato local independente e apoiado pelo grupo pró-Bolsonaro em BJ) = 1.469 votos
5º Elizabete Porto – PROS (candidata local independente) = 1.342 votos

Senadores mais bem votados:
1º Mendonça Filho – DEM (apoiado pelos Grupos Mendonça e Galvão) = 12.074 votos
2º Bruno Araújo – PSDB (apoiado pelos Grupos Mendonça, Galvão e pelo prefeito Hélio dos Terrenos) = 11.273 votos
3º Sílvio Costa – AVANTE (apoiado pelo prefeito Hélio dos Terrenos) = 9.557 votos
4º Humberto Costa – PT (apoiado pelo PT local e pelo ex-prefeito João Jatobá) = 8.690 votos
5º Jarbas Vasconcelos – MDB (apoiado pelo ex-prefeito João Jatobá) = 6.575 votos

Votos para governador:
1º Armando Monteiro – PTB (apoiado pelos Grupos Mendonça, Galvão e pelo prefeito Hélio dos Terrenos) = 15.993 votos
2º Paulo Câmara – PSB (apoiado pelo PT local e pelo ex-prefeito João Jatobá) = 8.584 votos
3º Julio Lóssio – REDE (apoiado pelo grupo pró-Bolsonaro em BJ) = 1.070 votos
4º Dani Portela – PSOL = 676 votos
5º Maurício Rands – PROS = 600 votos

Votos para presidente:
1º Fernando Haddad – PT = 19.446 votos
2º Jair Bolsonaro  – PSL = 10.620 votos
3º Ciro Gomes – PDT = 5.175 votos
4º Geraldo Alckmin – PSDB = 766 votos
5º João Amoêdo – NOVO = 335

Em negrito estão os candidatos eleitos ou no 2º turno, este último no caso do cargo de presidente.

Chamada capa: Eleições em BJ: Média de 20.712 abstenções e votos brancos e 11.397 votos nulos

As eleições 2018 trouxeram diversas surpresas a nível nacional e também local, e talvez a principal delas foi o número de eleitores que deixaram de votar e que votaram em branco, ou ainda os que optaram por anular o voto. Em Belo Jardim, o cenário não foi diferente, no caso dos votos em branco acrescidos das abstenções, o aumento em relação ao pleito eleitoral do ano passado foi de 54%, enquanto que no caso dos votos nulos o índice foi ainda maior: mais de 380%.

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