Bebês com microcefalia começam a ser atendidos no interior de PE

Saúde

Do G1 Caruaru

Crianças diagnosticadas com microcefalia começaram a receber tratamento na Unidade Pernambucana de Atenção Especializada (UPAE) de Caruaru, no Agreste. Por enquanto, 24 casos foram confirmados na região da 4ª Gerência Regional de Saúde (Geres) e os bebês estão sendo atendidos após encaminhamento neurológico.

São 1.672 casos de microcefalia notificados no estado de 1º de agosto de 2015 até 27 de fevereiro deste ano. Destes, 215 foram confirmados.

“A fisioterapia não acaba aqui, vai para casa também”
Fisioterapeuta Camilla Costa sobre tratamento

Em Caruaru, o Hospital Mestre Vitalino faz o diagnóstico de bebês com a malformação desde o dia 15 de dezembro. Antes, as crianças atendidas pelas 4ª e 5ª gerências regionais eram encaminhadas pelos munícipios para o Hospital Osvaldo Cruz, no Recife, segundo a assessoria de imprensa da unidade.

De acordo com o coordenador da UPAE Caruaru, Francisco Galvão, todas as crianças passam inicialmente por três atendimentos básicos: fisioterapia, otorrinolaringologia e oftalmologia – este último deve começar na segunda quinzena de março.

“Esses três especialistas vão identificar se será necessário algum atendimento específico, como cardologia ou demartologia, por exemplo. Mas, 100 % das crianças a gente encaminha para a fonoaudiólogo, nutricionista e – no caso dos pais – para o psicólogo”, explica o gestor.

Segundo Galvão, ainda não são realizadas reabilitações visuais e auditivas. “Por se tratar de uma referência de média complexidade, tanto de atendimento quanto de reabilitação, o intituito do estado e da Fundação Altino Ventura é que as crianças desta quarta regional sejam atendidas aqui na UPAE. A única coisa que está em aberto, que a secretaria estadual ainda não determinou, é a questão da reabilitação visual e auditiva. Como elas são bem específicas, precisam de uma estrutura maior. O estado ainda está delineando isso”.

Atendimento

(Foto: Paula Cavalcante/ G1)
(Foto: Paula Cavalcante/ G1)

A dona de casa Joselânia Maria Vieira da Silva, 31 anos, mora em Caruaru e trouxe pela primeira vez a filha Ana Cristina, de dois meses, para passar pela fisioterapia. Descobriu que estava grávida no quinto mês e teve os sintomas das doenças transmitidas pelo Aedes aegypti entre o terceiro e quarto mês de gestação. Ela não soube qual das doenças teve. “Amanheci pintada e no outro dia já estava melhor”.

Quando foi entrevistada, a mãe de Ana Cristina chegava ao setor de fisioterapia. Neste departamento, o primeiro encontro é uma avaliação. Assim, será identificada a linha de reabilitação motora que o bebê irá receber. A sessão dura de 30 a 40 minutos.

A fisioterapeuta Camilla Costa alertou aos pais a importância de seguir as orientações em casa. “A fisioterapia não acaba aqui, vai para casa também: elas aprendem aqui e também estimulam em casa. Porque se deixar só para fazer na sessão, a criança não evolui tanto. Então é importante que a mãe também estimule em casa”.

Ana Paula, de 27 anos, está há uma semana levando a filha, de 2 meses, para o atendimento. Descobriu que Ana Katrieli tinha microcefalia quando a menina nasceu. “Ela tem todos os movimentos. Aqui é só para ajudar no desenvolvimento dela, porque a gente ainda não sabe como vai ficar, até agora”. A dona de casa mora em Jataúba, no Agreste, e também leva a filha para fazer fisioterapia em uma unidade de saúde do município.

Outras especialidades

(Foto: Paula Cavalcante/ G1)
(Foto: Paula Cavalcante/ G1)

A fonoaudióloga Amora Marins tem experiência prática em Passira, no Agreste, acompanhando uma criança de cinco anos que tem microcefalia. Nesta terça-feira (1º), começou a atender bebês. “Vou trazer essa bagagem e também fazer capacitações, até porque é uma demanda extremamente nova para todo mundo. A gente vai descobrindo as principais demandas dos pacientes e vai tentando se aperfeiçoar”.

Ao G1, ela contou como é feito o trabalho. “É uma experiência extremamente enriquecedora. A gente faz primeiro uma triagem nesses pacientes para identificar tudo. Por exemplo, na minha área, fonoaudiologia, quais são as principais contribuições que eu posso dar para eles. Se eles estão com a demanda referente à amamentação, ou alguma outra, o que posso estar fazendo para contribuir com a qualidade de vida dos pacientes”.

Encaminhamento
Após a suspeita da malformação, as unidades de saúde municipais encaminham, por meio da central de regulação, os bebês para o Hospital Mestre Vitalino (HMV), em Caruaru. O diagnóstico é feito por um neurologista, que faz o encaminhamento para UPAE.

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