Familiares usaram as redes sociais, na tarde desse sábado (2), para denunciar o nascimento de uma bebê sem vida no Hospital Júlio Alves de Lira (HJAL), em Belo Jardim, no Agreste de Pernambuco. O caso ocorreu no último dia 28.

Uma mulher, identificada como Cicera Silva, publicou no Facebook que a cunhada dela, que estava gestante, teria sido vítima de negligência na unidade médica e que por conta disso a criança tinha nascido morta. Confira a postagem:

Horas depois, a Secretaria de Saúde de Belo Jardim publicou uma nota confirmando e explicando o ocorrido. No texto, a pasta afirma que a paciente gestante teria recebido os devidos cuidados médicos, mas que a criança nasceu sem vida com “cianose central” (falta de oxigênio) devido “aspiração meconial” (aspiração de mecônio, matéria fecal produzida pelos intestinos antes do nascimento).

“A Secretaria de Saúde de Belo Jardim, vem a público informar que na noite do dia 28 de fevereiro, a senhora Jaine Leite da Silva, deu entrada no Hospital Júlio Alves de Lira para avaliação obstétrica, foi recebida e ficou em observação no aguardo da evolução do trabalho de parto, após a evolução a paciente foi encaminhada à sala de parto, evoluiu com o parto normal e expulsão do natimorto, apresentando cianose central. Imediatamente foi realizado aspiração das vias aéreas e todos os procedimentos necessários para reverter o quadro, sendo constatado aspiração meconial do natimorto intra-útero. Lamentamos profundamente a perda, pois o nosso maior objetivo é trabalhar para oferecer o melhor serviço à população, nossos profissionais se esforçaram, mas infelizmente o quadro era irreversível e nada poderia ser feito, além dos procedimentos que foram realizados”, diz o texto da pasta.

Investigação de supostas negligências

Este não é o primeiro caso denunciado supostamente de negligência médica no HJAL. O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) já abriu investigação contra a unidade médica por meio de diversas outras denúncias do tipo.

O que causou a morte do bebê

Segundo a nota da Secretaria de Saúde, o bebê em questão nasceu sem vida devido aspiração meconial. Em texto publicado no portal Manual MDS, o professor de pediatria e neonatologia da Escola de Medicina da East Universty Carolina, universidade em Greenville, na Carolina do Norte, nos Estados Unidos, Arthur Kopelman, explica detalhadamente como é provocado esse problema. Leia a seguir:

Síndrome de aspiração de mecônio

Por Arthur Kopelman

O mecônio é a matéria fecal estéril verde escura produzida pelos intestinos antes do nascimento. Normalmente, o mecônio é eliminado depois do nascimento quando o recém-nascido começa a se alimentar. No entanto, como resposta ao estresse e a uma concentração de oxigênio no sangue inadequada, o feto pode evacuar mecônio no líquido amniótico. O estresse também pode fazer o feto ofegar com força, de maneira que o líquido amniótico contendo mecônio é inspirado (aspirado) para dentro dos pulmões. Após o nascimento, o mecônio aspirado pode bloquear as vias respiratórias e fazer regiões dos pulmões colapsarem. Às vezes, as vias respiratórias ficam somente parcialmente bloqueadas, o que permite que o ar alcance partes dos pulmões além do bloqueio, mas impedem que ele seja expirado. Desse modo, o pulmão afetado pode se expandir demasiadamente. A superexpansão progressiva de uma parte do pulmão pode resultar em ruptura e depois colapso do pulmão. O ar pode então se acumular dentro da cavidade torácica ao redor do pulmão (pneumotórax).

O mecônio aspirado para dentro dos pulmões causa inflamação dos pulmões (pneumonite) e aumenta o risco de infeção pulmonar.

A síndrome de aspiração de mecônio é com frequência mais grave em recém-nascidos pós-termo porque eles têm um volume menor de líquido amniótico, de maneira que o mecônio fica concentrado em uma quantidade menor de líquido amniótico (Pós-maturidade). Recém-nascidos com síndrome de aspiração de mecônio também correm risco mais elevado de hipertensão pulmonar persistente.

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